Pois então
meus amigos, aqui estou mais uma vez, sei que passei um tempo longe, mas as
aulas e exames me tomara um pouco de tempo nesses últimos 15 dias e
infelizmente não tive tempo de escrever o que queria para vocês. Agora pretendo
escrever uma série de 3 textos falando sobre o que julgo, ser a parte mais
importante na vida de um estudante acadêmico em Portugal, a PRAXE! Muitos,
principalmente os brasileiros não vão entender o que é ainda, e meu intuito com
os textos é explicar para os brasileiros e para os portugueses, desmistificar
para aqueles que são contra e explicar a importância da Praxe para os caloiros
e ainda mais para um estudante que está tão longe de casa como eu.
Sempre gosto
de começar os trabalhos da faculdade conceituando os temas a ser tratados por
isso vou fazer o mesmo com estes termos que vamos tratar.
No Brasil
temos um rito de boas vindas que se chama
TROTE, para isso peguei o conceito em um dicionário: “O trote estudantil
consiste num conjunto de atividades para marcar o ingresso de estudantes no
ensino superior e, em algumas exceções, no Ensino Médio, geralmente no caso dos
aprovados num processo seletivo, que podem ser leves ou graves.”
O trote na
sua maioria das vezes é composto por um ou dois dias em que os veteranos (nome
dado a quem não é calouro, no Brasil) sujam com alimentos, entre outras coisas
seus bixos (também podem ser chamados de calouros), realizam alguma atividade e
geralmente saem para a rua a pedir dinheiro para poder realizar uma festa, ou
churrasco de integração entre bixos e veteranos. Detalhe aqui é que somente
quem aplica o trote nos bixos é a turma logo acima em numero de semestre (ex:
os alunos do 2º ano ou semestre aplicam o trote nos calouros). Existem também
algumas atividades como trote solidário, com arrecadação de alimentos, doação
de sangue ou ainda arrecadação de material escolar para as crianças carentes.
Estes conjuntos de atividades servem de alguma forma para integração entre os
alunos, porem não são reguladas por algum órgão ou documentos, vale ressaltar
ainda que as atividade que submetem os bixos a algum tipo de sujeira, são cada
vez mais debatidas em todas as esferas públicas, bem como retaliadas por grande
parte da população, talvez por não haver uma regulação sobre o assunto.
Gostaria de dizer que não sou contra o trote no Brasil, sou favorável tanto que
já fui submetido ao trote em duas oportunidades, 1ª quando ingressei no ensino
médio e a 2ª quando ingressei no curso de ciências biológicas, na UCPEL. Quando
ingressei no Curso Superior de Tecnologia em Agroindústria não recebi trote
pois éramos a primeira turma e não tinha quem nos aplicasse.
Já em Portugal
temos a PRAXE:
"A Praxe
Académica é um conjunto de tradições geradas entre estudantes universitários e
que já há séculos vêm a ser transmitidas de geração em geração. É um modus vivendi característico dos
estudantes e que enriquece a cultura lusitana com tradições criadas e
desenvolvidas pelos que nos antecederam no uso da Capa e do traje. Praxe
Académica é cultura herdada que nos compete a nós preservar e transmitir às
próximas gerações.” (Rui Pinto, veterano da Universidade Fernando Pessoa do
Porto).
Não posso
começar a falar da praxe sem antes falar do TRAJE, e aqui cabe mais um conceito
retirado do “CÓDIGO DE TRAJE ACADÉMICO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA”: O
Traje Académico do Instituto Politécnico de Bragança, denominado como “O Capote”,
é o conjunto das vestes que caracterizam os estudantes de todas as escolas
pertencentes ao referido Instituto. Apenas os alunos que obedecerem aos
seguintes requisitos presentes neste Regulamento estarão devidamente trajados.
Para meus amigos brasileiros segue uma foto do exemplificando o traje do nosso
Instituto.
Para começar
falando da praxe temos que falar que é extremamente organizada com documentos e
órgãos que a realizam/fiscalizam, a exemplo disso temos o “Código de Praxe do
Instituto Politécnico de Bragança”, um documento de 44 páginas, escrito pela
associação academica do IPB, em que constam todas as regras, deveres, direitos,
órgãos e pessoas responsáveis pelas atividades. Para aqueles que têm
curiosidade sobre o documento aqui consta o link (https://drive.google.com/file/d/0B6l2B6nKKlHfZnM4RVBGSjZoa00/view).
Falando ainda em responsabilidade os Praxantes (todos que aplicam a praxe nos
caloiros) assinam um termo de responsabilidade para que possam praxar. Os
caloiros assinam um termo de praxe, oficializando a sua adesão (vale lembrar
que ninguém é obrigado a ser praxado). A associação paga um seguro para
qualquer possível acidente que possa acontecer durante uma praxe que dura 12h (assim
como nos escoteiros, por exemplo), pois ao longo da praxe realizamos
atividades/brincadeiras como cabo de guerra, corrida entre outras atividades físicas,
por isso a necessidade de um seguro.
Tudo que
estou explicando me foi ensinado durante a praxe, mas porque resolvi
participar? Não vou negar que sempre achei legal o traje e para poder usar é necessário
passar pela praxe e cumprir todas as suas etapas, porem o fato que mais me
chamou a atenção foi de poder conhecer ainda mais os portugueses, e fazer
amizades verdadeiras, uma das coisas que a praxe nos proporciona, pois um dos
pilares da praxe é o COMPANHEIRISMO, alem de poder provar mais uma cultura que
a terra lusitana tem.
Pensando em
tudo isso resolvi ingressar na praxe e sem saber iria começar a experimentar
uma das melhores épocas que Portugal e o IPB me proporcionaram até agora! Mas
vamos falar sobre isso no próximo texto.











